Registros de Precipitação e Temperaturas do mês de setembro

Atualizado: Out 8



Fig 1. Climatologia da precipitação para o mês de setembro.

Em setembro, mês marcado pela chegada da primavera, normalmente a umidade da Amazônia se espalha pelo interior do País e com isso se observa uma mudança no padrão de distribuição da precipitação, como mostra a figura 1, que representa a climatologia da precipitação com mais de 30 anos de dados. As chuvas ganham força sobre as áreas ao sul da região Norte, incluindo o TO, e retornam para grande parte do Centro-Oeste e Sudeste, o que proporciona o início do plantio, ao fim do vazio sanitário, em muitas áreas produtoras. Costuma chover de forma moderada sobre a faixa leste Nordestina, mas os volumes diminuem em relação aos meses anteriores.Chove de forma significativa sobre a região Sul e os maiores volumes de água ainda são observados sobre o extremo norte do AM e em partes de RR, como mostram as áreas em azul do mapa. O tempo seco é persistente sobre o interior Nordestino e norte de MG.


PRECIPITAÇÃO REGISTRADA EM SETEMBRO DE 2021


Durante este último mês de setembro, as chuvas não retornaram como de costume para grande parte do interior do Sudeste e do Centro-Oeste. Os episódios que aconteceram ao longo do mês foram muito mal distribuídos espacialmente e de uma forma geral, com baixos acumulados. As áreas mais avermelhadas do mapa (a) da figura 2, que cobrem grande parte dos Estados do Sudeste e do Centro-Oeste, representam acumulados de precipitação abaixo de 25mm para o mês todo. Em grande parte destas duas regiões o volume de chuva ficou abaixo do esperado para setembro, como mostram as áreas em laranja da do mapa (b), que representa o desvio da precipitação para o mês. Dois fatores que podem estar associados a esse déficit de precipitação sobre estas regiões são: i) o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que está em transição para La Niña e que costuma provocar um atraso na propagação da umidade da Amazônia e no retorno das chuvas sobre o interior do Brasil; e ii) as águas mais frias do que o normal do Oceano Atlântico, próximo à costa do centro-sul do Brasil. Essas águas mais frias do Atlântico provocam o enfraquecimento das frentes frias quando atingem a costa do Brasil. Isso somado a falta de suporte da umidade da Amazônia, fez com que não tivéssemos a formação de corredores de umidade e intensificação das instabilidades sobre o interior do Brasil para provocar chuvas frequentes e com volumes mais elevados.


Fig. 2. (a) Precipitação acumulada do mês de setembro de 2021 e (b) anomalia da precipitação acumulada do mês de setembro de 2021. Fonte: CPTEC

A umidade da Amazônia ficou mais concentrada sobre a região Norte, onde as instabilidades foram mais intensas e as chuvas mais volumosas. Inclusive, em diversas áreas desta região, os volumes registrados ficaram acima da média, como mostram as áreas em azul do mapa (b) da figura 2. As instabilidades associadas a umidade da Amazônia atingiram também algumas áreas do norte e oeste de MT, onde chove houve registro de chuvas acima da média e houve propagação de instabilidades mais intensas até o MA, PI e partes do CE. Porém, na maior parte do interior do Matopiba, os episódios de chuva foram muito isolados e com baixos acumulado e nas áreas em branco do mapa (a), não houve registro de precipitação.

No sul do Brasil, a maior parte da região registrou chuva abaixo da média, especialmente o estado do Paraná, que vem enfrentando grande déficit hídrico. Mas áreas da metade sul e leste do RS e leste de SC foram favorecidas por chuvas mais intensas e com volumes que ultrapassaram a média de setembro.



TEMPERATURAS REGISTRADAS EM SETEMBRO DE 2021



Fig. 3. (a) Anomalia da temperatura mínima do mês de setembro de 2021 e (b) anomalia da temperatura máxima do mês de setembro de 2021. Fonte: CPTEC


Durante o mês e setembro não tivemos o avanço de intensos sistemas frontais pelo interior do Brasil e consequentemente não houve o avanço de massas de ar frio, que provocassem declínio significativos das temperaturas. Com isso, o centro-sul do Brasil registrou um desvio positivo mais acentuado das temperaturas mínimas, como mostram as áreas mais avermelhadas do mapa (a), que representa a anomalia da temperatura mínima, da figura 3. O desvio da temperatura mínima não foi tão acentuado, mas também foi predominantemente positivo entre as regiões Norte e Nordeste.

O desvio da temperatura máxima, mapa (b), reflete a falta de chuva sobre o interior do Brasil. Nas áreas onde foi registrado o maior déficit de chuvas, ou seja, o tempo foi mais seco do que o normal em setembro, como é o caso do PR e grande parte do interior do Sudeste e do Centro-Oeste, o desvio positivo das temperaturas máximas foi bastante acentuado. Nas áreas em vermelho mais escuro do mapa (b) o desvio chega a em torno de 5 graus acima da média. O desvio da temperatura máxima não foi tão significativo em partes da região Norte, parte do MA e no extremo Sul do Brasil (áreas em branco do mapa), onde foram registradas chuvas mais frequentes e volumosas.



DISPONIBILIDADE HIDRICA DO SOLO NO FINAL DO MÊS DE SETEMBRO


O tempo mais seco do que o normal e o calor intenso dos últimos períodos acarretaram um grande déficit hídrico sobre a área central do Brasil, norte do PR e interior Nordestino. Nas áreas em vermelho e branco da figura 4 a disponibilidade hídrica no solo, nos últimos dias de setembro, ficou abaixo dos 20mm.

Fig. 4. Disponibilidade hídrica no solo entre 25 e 29 de setembro. Fonte: Agritempo.

As chuvas mais volumosas e frequentes garantiram mais umidade no solo sobre o extremo norte do País, onde as áreas em amarelo e verde representam disponibilidade hídrica em torno de 40mm e até acima dos 60mm, respectivamente. No extremo sul do Brasil a disponibilidade hídrica é ainda maior e chega acima dos 80mm nas áreas em azul do mapa.


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