ANÁLISE OCEÂNICAS E PREVISÃO CLIMÁTICA PARA O PROXIMO TRIMESTRE - AGOSTO/22

Atualizado: 2 de set.

ANÁLISE DAS CONDIÇÕES OCEÂNICAS.

Fig. 1. Anomalia da temperatura da superfície do mar entre 10/07/22 e 06/08/22. Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/

As águas superficiais da faixa central do Oceano Pacífico continuam mais frias do que o normal, como mostram as áreas em azul dentro do retângulo preto na Figura 1, que representa a anomalia média da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) entre o período de 10 de julho e 6 de agosto.








LA NIÑA TENDE A CONTINUAR ATÉ O FINAL DE 2022 E PERDER FORÇA NO INÍCIO DE 2023.



Fig. 2. Previsão de consenso de fenômenos climáticos, dos institutos NOAA e IRI, atualizada em 14/07/2022.

A mais recente atualização dos centros norte americanos (11/08), Centro de Previsão Climática (CPC), juntamente ao Instituto de Pesquisas Internacionais da Universidade da Columbia (IRI), concordam com a manutenção da La Niña para os próximos meses, tendendo a permanecer ao longo de todo o ano de 2022. O Índice Oceânico Niño (ONI, sigla em inglês) é o principal indicador para o monitoramento de fenômenos como El Niño e La Niña , que considera as temperaturas médias da superfície do mar durante três meses na região do Niño 3.4 no Pacífico, sendo as condições de El Niño presentes quando o índice é de +0,5°C ou superior e de La Niña com -0,5°C ou inferior.

De acordo com a Figura 2, a probabilidade de ocorrência de La Niña para o trimestre julho-agosto-setembro é de 86% com diminuição gradativa para os trimestres subsequentes, o que indica a continuidade do fenômeno até final de 2022 e início de 2023, apresentando igual probabilidade (47%) de ocorrência de La Niña e de condições de neutralidade no início de 2023, como pode ser visto no trimestre janeiro-fevereiro-março.


A seguir vocês acompanham a previsão climática da Zeus Agrotech.


PREVISÃO CLIMÁTICA DA ZEUS AGROTECH


RETORNO REGULAR DA CHUVA PARA IMPORTANTES REGIÕES PRODUTORAS A PARTIR DE SETEMBRO .


A seguir são apresentados os mapas da média de precipitação (ou climatologia) e a previsão de clima da Zeus para os próximos meses, na forma de desvio da precipitação em relação ao que é esperado para cada mês. Mais detalhes em relação aos valores das médias e dos desvios estão disponíveis na sua plataforma Zeus.


PREVISÃO DE CLIMA DA ZEUS AGROTECH - TENDÊNCIA DA PRECIPITAÇÃO PARA OS PRÓXIMOS 3 MESES


SETEMBRO/22


Para setembro deste ano, a persistência do fenômeno La Niña ao longo de todo o segundo semestre pode mais uma vez influenciar a distribuição das chuvas em parte do interior do Brasil. As nossas previsões indicam que as chuvas vão permanecer abaixo da média em algumas áreas do centro sul do País, nas áreas em amarelo da figura 3, com episódios de chuvas bastante irregulares ao longo do mês. No entanto nas áreas em verde a tendência é de chuvas dentro da normalidade, o que indica um retorno gradual das chuvas, especialmente para as principais regiões produtoras do centro oeste e áreas do MATOPIBA, onde ainda chove pouco nesta época. Para a porção oeste de MT e áreas de RO, há inclusive tendência de chuvas ainda mais frequentes e que podem até ficar acima da média, como mostram as áreas em azul. Para o Sul do Brasil a previsão ZEUS sugere chuvas mais frequentes ao longo do mês, especialmente para a porção mais ao sul, o que deve resultar em chuvas que podem ficar acima da média, como mostram as áreas entre o verde e o azul da figura 6.


Fig.4: Previsão Zeus para setembro de/22, com o desvio da precipitação em relação ao que é normal para o mês.
Fig. 3: Média de precipitação, segundo informações do CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de setembro.















OUTUBRO/22


Para outubro deste ano a expectativa é de retorno de forma regular das chuvas no decorrer do mês em algumas regiões do Brasil, podendo inclusive ficar acima da média sobre as áreas em azul da figura 6. Nas áreas em verde as chuvas também devem ocorrer de forma regular e os volumes devem ficar dentro da normalidade para o mês. Em áreas entre o Sudeste e Centro oeste e norte do PR, nas áreas em amarelo, as chuvas ainda continuam irregulares, com volumes abaixo da média.


Fig. 5: Média de precipitação, segundo informações do CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de outubro.
Fig. 6: Previsão Zeus para outubro/22, com o desvio da precipitação em relação ao que é normal para o mês.















NOVEMBRO/22


Para novembro de 2022, os efeitos do fenômeno La Niña devem ficar ainda mais evidentes sobre o centro sul do Brasil e por isso devemos esperar irregularidades das chuvas, especialmente para áreas entre MS, SP, sul de GO e de MG, como mostram as áreas em amarelo da figura 8. No centro-norte do País, novembro de 2022 deve contar com chuvas mais frequentes, e em importantes regiões produtoras entre o Sudeste e o Centro oeste, os volumes para o mês devem ficar dentro da média. Para grande parte do MATOPIBA, novembro deve contar com chuvas variando entre média e acima da, favorecendo o andamento do plantio na região.



Fig. 7: Média de precipitação, segundo informações do CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de novembro.
Fig. 8: Previsão Zeus para novembro/22 com o desvio da precipitação em relação ao que é normal para o mês.



TENDÊNCIA DE TEMPERATURA PARA OS PRÓXIMOS 3 MESES


Os mapas a seguir apresentam a menor temperatura mínima e maior temperatura máxima que podemos esperar ao longo dos próximos três meses.


TEMPERATURA MÍNIMA


Em setembro, as temperaturas mínimas seguem baixas sobre o Sul do Brasil, parte do Sudeste e Centro oeste. Mas com a chegada da Primavera o frio tende a perder força gradativamente. Ainda podem ocorrer episódios de frio mais significativo e não se descarta o risco para ocorrência de geadas isoladas especialmente em regiões Serranas das regiões Sul e Sudeste e na fronteira do RS com o Uruguai. As madrugadas também seguem mais frias nas áreas em azul do Sudeste e Centro-Oeste, mas o que chama a atenção neste mês é a forte amplitude térmica, com as tardes com predomínio de sol e rápida elevação das temperaturas máximas.

Em outubro as menores temperaturas continuam sendo previstas para a Região Sul e faixa leste do Sudeste, porém mais elevadas em relação aos meses anteriores e diminui o risco para ocorrência de frio extremo. As temperaturas mínimas também ficam mais elevadas para o restante do Brasil, como vemos nas áreas em tons de azul escuro e verde da figura 9b.

Em novembro, a primavera já está bem estabelecida, e as temperaturas não ficam mais tão baixas como nos meses anteriores. Para este ano, as menores temperaturas ainda são esperadas em partes da Região Sul e no leste da Região Sudeste, mas sem extremos. Enquanto para o restante do Brasil, nas regiões em tons de azul e verde escuro, as manhãs já contam com temperaturas elevadas, com mínimas que devem ficar acima dos 15°C.


Fig. 9. Previsão de temperatura mínima: (a) setembro/22 e (b) outubro/22 e (c) novembro/22.

TEMPERATURA MÁXIMA


Em setembro, com a expectativa de irregularidade das chuvas em algumas partes do centro sul do Brasil, o calor deve continuar se intensificando nas áreas em laranja mais escuro do mapa. São esperadas temperaturas bastante elevadas, próximas a 40°C, entre o Centro-Oeste, Norte, interior do Matopiba, extremo oeste e norte de MG e oeste de SP. No Sul do País as temperaturas também não se elevam muito e são esperados os valores mais baixos de temperatura máxima em relação às demais Regiões.


Em outubro de 2022 as temperaturas esperadas ainda continuam bastante elevadas entre o Sudeste, Centro-Oeste, partes do Norte e Nordeste, como mostram as áreas em tons de laranja mais escuro do mapa, porque as chuvas ainda estarão aumentando de forma gradativa e em algumas regiões ainda costuma chover muito pouco. Como é normal para o mês, as temperaturas mais amenas devem ocorrer sobre áreas do sul da região Sul e partes do leste e sul da BA, como mostram as áreas em verde do mapa.


Para novembro, as temperaturas esperadas também devem ficar bem elevadas, porém não tanto como nos meses anteriores. Neste mês, normalmente já chove de forma significativa sobre grande parte do Brasil, e por conta disso, nas regiões centro e norte do País, as temperaturas devem ficar ligeiramente mais baixas, como mostram as áreas em tons de amarelo. Já para boa parte da região central e sul do Brasil, onde tem expectativa para uma irregularidade das chuvas, as temperaturas devem ficar bem mais elevadas no período, como vemos em alguns pontos em tons de laranja mais escuro de SP, MG, MS, por exemplo

Fig. 10. Previsão da temperatura máxima: (a)setembro/22 (b) outubro/22 e (c) novembro/22.


ANÁLISE AGRONÔMICA


Milho: Segue o avanço da colheita no Brasil

No Paraná (PR) o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), informou que a colheita de milho atinge 69% da área, estimada em 2,719 milhões de hectares. A área de milho deve subir 8% comparada a temporada anterior, de 2,515 milhões de hectares. Segundo o Deral, 66% das lavouras de milho apresentam boas condições de desenvolvimento, 26% condições médias e 8% ruins.

As lavouras de milho se dividem entre as fases de frutificação (5%) e maturação (95%). No dia 8 de agosto, a colheita estava em 57%, com 67% das lavouras apresentando boas condições, 25% condições médias e 8% ruins, entre fases de frutificação (7%) e maturação (93%).

Para a 2ª safra 2021/22 de milho no Paraná está estimada em 14,659 milhões de toneladas, volume 156% maior que da safra anterior de 5,723 milhões de toneladas. A produtividade média do cereal deve alcançar 5.392 quilos por hectare em 2021/22, acima da registrada na temporada anterior, de 2.637 quilos por hectare.

Já no Centro- Sul a colheita da safrinha de milho atingiu 80,3% da área estimada até quinta-feira dia 04 de agosto, em comparação com 72,7% uma semana antes e 58,4% no mesmo período do ano passado, de acordo com levantamento da AgRural. A colheita está encerrada em Mato Grosso e na reta final em Goiás.

A semeadura do milho verão da safra 2022/23 já teve início no Rio Grande do Sul. De acordo com a AgRural, a boa umidade no solo, a previsão de mais chuva e com os sinais inexistentes de geada em curto prazo, os produtores da Fronteira Oeste estão com as plantadeiras em campo, até o momento o total plantado no estado foi a 5,5% da área estimada, o que representa 1,5% do Centro-Sul do Brasil. A ideia dos produtores é colher esse primeiro milho no fim de dezembro e início de janeiro e, na sequência, semear a safrinha de soja.


Fig. 11. Imagem de milho

Em relação à safra americana as preocupações têm sido com o clima quente e seco, que estressa as lavouras do meio-oeste dos EUA em seus estágios finais de desenvolvimento. Partes dessa região do país receberam chuva nos últimos dias, mas a expectativa é que o calor nas regiões ocidentais do cinturão agrícola continue impactando as colheitas.

Esse clima seco e quente está aumentando a incerteza dos investidores sobre os riscos de rendimento das safras. Os traders esperam que o USDA reduza suas perspectivas para a produção de milho dos EUA, de acordo com uma pesquisa da Reuters com analistas do mercado.


Algodão: Oferta e demanda


SSegundo a Conab o avanço da colheita na Bahia e Mato Grosso está próximo de 65% e 50%, respectivamente. Os principais estados produtores de algodão nacional, contribuem com uma estimativa de produção de 6.721,4 mil toneladas da cultura do algodão com caroço, que apresentou uma leve redução em relação à safra anterior.

Este décimo primeiro levantamento da safra 2021/22 mostra uma perspectiva de aumento de 16% da safra de algodão em relação à safra 2020/21, totalizando 2,73 milhões de toneladas, plantadas em uma área de 1,6 milhão de hectares, crescimento de 16,8%. Diante desses números, a produtividade da safra ficará em 1,72 t/ha, 0,7% menor que a safra anterior, sendo o aumento da produção garantido pelo aumento de área.

Fatores climáticos desfavoráveis à cultura afetaram a produção em algumas regiões de produção expressiva, como Mato Grosso, Goiás e Bahia. Diante da queda de produção, o estoque final de 1.331,4 toneladas, esperado para a safra, é 4,39% menor comparado ao ano passado e 3,57% menor em relação ao último levantamento. De acordo com dados do Ministério da Economia, no mês de julho de 2022 foram embarcadas 19,68 mil toneladas de algodão brasileiro, volume 68,63% menor que junho de 2022 e 66,2% menor que o mesmo período do ano passado. O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 2.431,9, ante US$ 1.664,5 em julho de 2021, valor 46,1% maior.

A tendência é que as exportações sejam ainda menores por consequência da baixa disponibilidade de estoques do produto, situação que só deve mudar em outubro, quando a nova safra estará disponível para comercialização. Embora o preço da pluma, tanto no mercado interno quanto no externo tenha caído no último mês, para os produtores a rentabilidade ainda é satisfatória, com preços 20% acima do ano anterior, conforme o levantamento da Conab no Mato Grosso. Porém, o mercado, principalmente o internacional, tem se mostrado bastante instável diante dos eventos ocorridos na economia mundial, com a possibilidade de uma recessão global, o que pode influenciar a intenção de plantio para a safra 2022/23.


Fig.13. Colheita de algodão

CANA-DE-AÇUCAR

As cotações futuras do açúcar tiveram alta moderada a expressiva nas bolsas de Nova York e Londres na tarde de quinta-feira, dia 11 de agosto. O mercado do adoçante tem suporte do financeiro, principalmente petróleo, apesar de ainda seguir dados baixistas.


O mercado do açúcar do tipo bruto teve valorização de 0,66% na Bolsa de Nova York, cotado a 18,40 cents/lb. Já no terminal de Londres, o tipo branco tinha alta de 1,02%, a US$ 555,30 a tonelada.

O açúcar tem novo dia de suporte do financeiro, principalmente petróleo, já que o dólar salta. O óleo impacta diretamente nos combustíveis e como no Brasil há possibilidade de produção pelas usinas de adoçante ou etanol também impacta no açúcar.


Os preços do petróleo subiram mais de 1% depois que a Agência Internacional de Energia elevou sua previsão de crescimento da demanda por petróleo para este ano, segundo a Reuters.

Ainda fator de pressão, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) trouxe na quarta-feira (10) que a produção de açúcar na segunda quinzena de julho totalizou 3,30 milhões de toneladas, um salto de 8,40% em relação ao mesmo período da safra passada.


A expectativa do mercado, inclusive, era abaixo do que o divulgado. Esperada em 3,25 milhões de toneladas, 6,7% a mais que no mesmo período do ano passado, segundo levantamento da S&P Global Commodity Insights divulgado na primeira semana de agosto.



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