ANÁLISE OCEÂNICA E PREVISÕES CLIMÁTICAS

O OUTONO DEVE SER MARCADO PELA TRANSIÇÃO DA LA NIÑA PARA NEUTRALIDADE CLIMÁTICA

Fig. 1. Anomalia da temperatura da superfície do mar entre 16/01/22 e 12/02/22. Fonte:https://www.esrl.noaa.gov/

As águas do Oceano Pacífico Equatorial continuam mais frias do que o normal e com desvio da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) que continua caracterizando a existência do fenômeno La Niña de moderada intensidade. No entanto, nos últimos períodos, o resfriamento vem oscilando e diminuindo em algumas regiões. Na figura 1 observa-se que na média, as anomalias negativas da TSM entre 16 de janeiro e 12 de fevereiro, representadas pelas manchas em azul, são predominantes e mais intensas especialmente na área central e leste da região destacada. A área mais a oeste está mais aquecida, como mostram os tons mais esbranquiçados do mapa e já apresenta índice muito próximo de condições neutras, como pode ser verificado na tabela da figura 2.


RESFRIAMENTO NO OCEANO PACÍFICO ESTA IRREGULAR

A área demarcada em vermelho na Figura 1 se subdivide em quatro regiões, que são monitoradas para estudos de fenômenos como El Niño e La Niña, como pode ser observado na figura 2. A tabela apresenta um comparativo entre os índices (desvios da TSM) para cada uma das regiões em 08 de janeiro e 14 de fevereiro de 2022. Apenas a região do NIÑO 1+2, que fica mais a Leste no Pacífico e próxima a costa da América do sul, esfriou mais em relação ao último mês. A TSM diminui 0,4°C e agora apresenta desvio de -1,3°C. As demais regiões apresentaram aumento de TSM, sendo que a região do NIÑO 4, que fica mais a oeste e é a menos fria neste momento, apresentou aumento de 0,2°C da TSM, mas ainda assim está com desvio negativo de -0,2°C. A região central do NIÑO 3.4 apresentou aumento de 0,4°C e a do NIÑO 3 apresentou aumento de 0,3°C e agora encontram-se com desvios de -0,7°C e -1,1°C respectivamente.

Fig. 2. Desvio da TSM por sub-regiões de estudo no oceano Pacífico – Fig. 2. Comparativo entre 08 de janeiro e 14 de fevereiro de 2022. FONTE: Fonte:https://www.esrl.noaa.gov/

NEUTRALIDADE CLIMÁTICA DEVE RETORNAR ENTRE O FINAL DO OUTONO E O INÍCIO DO PRÓXIMO INVERNO


A análise entre os centros norte americanos IRI (Instituto de Pesquisas Internacionais da Universidade da Columbia) e CPC (Centro de Previsões de Clima do NOAA), atualizada em 10 de fevereiro de 2022, mostra que a La Niña já está em fase de enfraquecimento, mas esse enfraquecimento deve continuar de forma lenta ao longo dos próximos meses e o fenômeno deve persistir durante a maior parte do outono aqui no Hemisfério Sul. A previsão indica probabilidade de 77% para a persistência da La Niña até o trimestre março, abril e maio, como mostram as barras em azul da figura 3, que representam a probabilidade ocorrência do fenômeno La Niña. Depois, a partir do trimestre maio, junho e julho, as previsões indicam uma probabilidade maior, de 56%, para transição para neutralidade climática, como mostram as barras cinzas. A previsão indica que o próximo inverno no hemisfério Sul será marcado por neutralidade climática, mas sinaliza ainda uma incerteza grande dos modelos em torno disso. Vamos seguir acompanhando as novas atualizações das previsões oceânicas e traremos essas informações ao longo dos próximos boletins. Com o enfraquecimento lento da La Niña, seus efeitos devem continuar sendo sentidos na distribuição de chuvas e temperaturas sobre o Brasil durante os próximos meses, como podemos acompanhar na previsão climática da Zeus Agrotech a seguir.


Fig. 3. Previsão de consenso de fenômenos climáticos, dos institutos NOAA e IRI, atualizada em 10/02/22. Fonte:https://iri.columbia.edu/


PREVISÃO CLIMÁTICA DA ZEUS AGROTECH

O SUL DO PAÍS CONTINUA SOB OS EFEITOS DA ESTIAGEM, ENQUANTO AS ÁREAS NAIS AO NORTE DO BRASIL DEVEM TER UM OUTONO MAIS ÚMIDO

MARÇO

A seguir são apresentados os mapas da média (ou climatologia) da chuva e a previsão de clima da Zeus para os próximos meses, na forma de desvio da precipitação em relação ao que é esperado para cada mês. As cores representam as regiões onde estão os clientes Zeus. Mais detalhes em relação aos valores das médias e dos desvios estão disponíveis na sua plataforma Zeus.


Março é o mês de transição do verão para o outono e costuma ser marcado por uma alternância maior entre períodos chuvosos e os períodos mais secos na maior parte do interior do Brasil. Neste mês as chuvas mais intensas se concentram sobre a porção mais a norte do País, como pode ser observado nas manchas azul mais escuro da figura 4. Os volumes costumam ser mais expressivos entre o norte do MT, RO, AC, AM, PA, norte do MA e do PI e sobre o Amapá. Sobre áreas de GO, sul e Triângulo Mineiro, leste de SP e sobre o Matopiba ainda chove de maneira significativa. Porém, em grande parte do Sudeste, sul do MT, MS e parte da região Sul a chuva começa a perder intensidade e os volumes não são mais tão expressivos como nos meses anteriores. Na metade leste do Nordeste e em RR os volumes são normalmente muito baixos.


Para março deste ano são esperadas chuvas mais irregulares sobre a metade sul do Brasil, ainda devido os reflexos do fenômeno La Niña. A previsão da Zeus indica chuvas abaixo da média nas áreas em amarelo da figura 5, que cobrem o extremo sul do País e uma faixa que se estende entre SP, sul e Triângulo Mineiro, norte de MS, extremo sul de Go, sul e sudoeste de MT e extremo sul de RO. As previsões indicam também que a Zona de Convergência Intertropical atuará mais sobre o extremo norte do País neste mês e não estará tão atuante sobre a faixa norte do Nordeste e leste do PA. Com isso, pode chover abaixo da média entre CE, norte do PI, norte do MA e nordeste do PA. Já entre o norte do RJ, ES, norte de MG e oeste da BA, as chuvas devem ser mais frequentes e volumosas e tendem a ficar acima da média como mostram as áreas em azul do mapa. Nas demais áreas, em verde do mapa, são esperadas chuvas dentro da normalidade.


Fig. 4: Média de precipitação, segundo o CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de março.
Fig.5: Previsão Zeus do desvio da precipitação em relação ao que é normal para março/22.















ABRIL

Abril, um mês típico de outono, apresenta uma redução significativa das chuvas sobre o interior do Brasil, como mostram as áreas avermelhadas da figura 6. Além disso, é um mês com maior alternância de dias quentes e frios, já que ondas de frio começam a avançar de forma mais intensa pelo Sul e algumas vezes alcançam até o Sudeste e o CentroOeste. Neste mês as chuvas mais intensas normalmente acontecem sobre a faixa norte entre o CE, PI e o MA e entre o AP, norte e oeste do PA, interior do AM e sul de RR, como mostram as áreas em azul da figura 6.


Para abril deste ano, nossas previsões indicam uma redução normal das chuvas e volumes dentro da média para o mês sobre a maior parte do País, como mostram as áreas em verde da figura 7. As instabilidades devem ser mais intensas e pode chover acima da média entre o TO, MA e parte do PA. Já sobre o Sul do Brasil, as chuvas vão continuar irregulares e tendem ficar abaixo da média principalmente no centro e fronteira oeste da região e tem risco de chuvas abaixo da média sobre o extremo sul de MS, sul e oeste de MT e parte de RO.



Fig. 6: Média de precipitação, segundo o CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de Abril.
Fig. 7: Previsão Zeus do desvio da precipitação em relação ao que é normal para Abril/22
















MAIO


Fig. 8: Média de precipitação, segundo o CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de maio
Fig. 9: Previsão Zeus do desvio da precipitação em relação ao que é normal para maio/22.

















TENDÊNCIA DE TEMPERATURA PARA OS PRÓXIMOS 3 MESES


TEMPERATURA MÍNIMA

Os mapas a seguir apresentam a média das temperaturas mínimas e máximas para os próximos três meses. Nestes mapas, os extremos podem estar mascarados, mas ainda assim observa-se o padrão médio de comportamento das temperaturas.


As temperaturas mínimas seguem mais amenas entre as regiões Sul e Sudeste no decorrer deste mês de março, figura 10(a), e um pouco mais elevadas entre o Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.

A partir de abril, figura 10(b), teremos uma oscilação maior das temperaturas no centro sul do Brasil. Com o avanço de algumas massas de ar mais frio, as temperaturas devem ficar mais baixas especialmente na região Sul e parte do Sudeste, como mostram as áreas em tons de azul da figura 10(b). As temperaturas diminuem um pouco também entre o Centro-Oeste e áreas mais ao sul da região Norte, como mostram as áreas em verde mais escuro.

Para maio, figura 10(c), as temperaturas devem diminuir mais sobre o centro-sul do país. Especialmente no sul são esperadas temperaturas bastante baixas. Neste ano, devido ao fenômeno La Niña, a atmosfera fica mais fria e por isso existe o risco para ondas de frio mais cedo e mais intensas. Por isso, não se descarta a ocorrência de episódios de geada, especialmente sobre a região Sul. São esperadas temperaturas baixas nesse mês também sobre as áreas em tons de azul do Sudeste e a tendência é de diminuição das temperaturas também em grande parte do Brasil Central.



Fig. 10. Previsão de temperatura mínima: (a) março/22, (b) abril/22 e (c) maio/22..

TEMPERATURA MÁXIMA

As temperaturas máximas devem se elevar mais sobre o interior do Brasil no mês de março, já que são esperadas chuvas irregulares em partes do Sudeste do Centro-Oeste. As áreas em tons de laranja da figura 11(a), mostram onde são esperadas as temperaturas mais elevadas, especialmente no interior nordestino e partes do Centro-Oeste. Nas áreas em tons de verde mais escuro do Sudeste e da região Sul são esperadas as temperaturas mais amenas, como é normal para estas regiões.

Em abril,figura11(b),assim como as temperaturas mínimas, as temperaturas máximas também começam a diminuir na região Sul, devido ao avanço eventual de massas de ar mais frio. As máximas também devem ficar mais baixas em partes do Sudeste, enquanto o tempo continua mais abafado entre o Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Em maio, com a intensificação do tempo seco, as temperaturas ficam mais elevadas sobre o centro norte do país, enquanto nas áreas mais ao sul a expectativa de diminuição das temperaturas. Podemos observar pelas áreas em tons de azul da figura 11(c), que as máximas mais baixas são esperadas para o interior da região Sul e faixa leste do Sudeste.


Fig. 11. Previsão da temperatura máxima: (a) março/22, (b) abril/22 e (c) maio/22.

DESTAQUES AGRONÔNICOS


COLHEITA DA SOJA BRASILEIRA VAI A 24% DA ÁREA TOTAL SEGUNDO AGRURAL

Imagem: COOPSEMA

Na última semana a AgRural estimou que 24% da área cultivada estava colhida, ante os 16% na semana anterior e 9% no mesmo período da safra 2020/21. Mato Grosso continua com a liderança, com mais da metade de sua área já colhida, seguido de longe por Rondônia e Paraná.

Com chuvas ainda muito frequentes, a colheita de Mato Grosso tem avançado nos intervalos, com o produtor apressando-se para tirar a soja do campo antes que ocorram maiores problemas de qualidade. Mas os índices de umidade e avariados seguem altos e tornam mais lenta a logística entre as lavouras e os armazéns. Também há queixa de grãos com excesso de umidade em Rondônia e Minas Gerais. Nos demais estados, a colheita caminha conforme mais áreas vão ficando prontas e, nos estados com quebra de safra por estiagem, à medida que as seguradoras liberam o avanço das colheitadeiras. No Paraná, os relatos de produtividade seguem muito baixos no oeste e no sudoeste, confirmando as perdas por falta de chuva e calor, mas os rendimentos são melhores em outras regiões. Em relação ao plantio do milho safrinha mesmo com a chuva em Mato Grosso o plantio avançou bem na semana passada, chegando a 42% da área no Centro-Sul, contra 24% uma semana antes e bem à frente dos 11% do mesmo período do ano passado. A colheita de milho verão, por sua vez, alcançou 23% da área do Centro-Sul do Brasil, ante 17% um ano atrás. A AgRural estima a produção de soja na safra 2021/22 do Brasil em 128,5 milhões de toneladas. A produção total de milho, estimada por enquanto com base em linha de tendência de produtividade para a safrinha, é de 110,9 milhões de toneladas

AGOPA: PLANTIO DO ALGODÃO EM GOIÁS ULTRAPASSA

90% DA ÁREA


Segundo levantamento realizado na última sexta-feira (11) 90,15% dos 30 mil hectares previstos para a safra 2021/22 já foram implantados em Goiás. O percentual é um pouco acima dos 88,06 registrados na semana anterior.

Na Região 1, composta pelos municípios de Goiatuba, Morrinhos, Palmeiras de Goiás e Turvelândia, o plantio está em 95,29% da área total prevista. O número representa 9,15% da área total a ser plantada em Goiás. A Região 2, composta pelos municípios de Caiapônia, Chapadão do Céu, Mineiros, Jataí, Montividiu, Rio Verde e Perolândia, o plantio avançou pouco, chegando a 99,02%, pouco acima dos 98,89% registrados no último dia 4. O percentual representa 53,8% do total no estado. A Região 3 já havia completado 100% do plantio de sua área, o que corresponde a 27,20% em nível estadual. A região engloba os municípios de Cristalina, Cabeceiras e Luziânia. A Região 4, composta pelo município de Britânia, ainda não começou a semeadura do algodão devido ao calendário de plantio da Agrodefesa, que prevê para fevereiro o plantio nessa região. O levantamento é realizado pelo Fundo de Incentivo à Cultura do Algodão em Goiás (Fialgo), que acompanha o plantio nas fazendas cotonicultoras em todo o estado.


Fonte: Agopa
BAIXE AGORA A VERSÃO COMPLETA EM PDF DO BOLETIM
ZEUS AGROTECH DE FEVEREIRO/22
[PDF]-BOLETIM-ZEUS AGROTECH [FEV 2022]
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Fonte das informações agrícolas: AgRural e Agopa


EQUIPE ZEUS

meteorologistas:

BRUNA PERON | bruna.peron@zeusagro.com

NADIARA PEREIRA | nadiara.pereira@zeusagro.com

analista de relacionamento agronômico:

ANDRESSA GREGÓRIO | andressa.gregorio@zeusagro.com

engenheiro agrônomo:

CARLOS SILVA NETO | carlos.neto@zeusagro.com

diagramação:

FELIPE ARAUJO | felipe.araujo@zeusagro.com

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