ANÁLISE OCEÂNICA E PREVISÕES CLIMÁTICAS - MAIO 2022

LA NIÑA CONTINUA DURANTE O INVERNO E SEGUNDO CENTROS NORTE AMERICANOS O FENÔMENO PODE PERSISITIR NA PRÓXIMA PRIMAVERA

Fig. 1. Anomalia da temperatura da superfície do mar entre 10/04/22 e 07/05/22. Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/

As águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial continuam mais frias do que o normal, como mostram as manchas em azul na área demarcada pela caixinha em vermelho da figura 1, que representa a anomalia média das Temperaturas da Superfície do Mar (TSMs) de 10 de abril a 7 de maio. Os desvios negativos da TSM continuam característicos do fenômeno La Niña.

A classificação deste fenômeno depende da persistência de desvios inferiores a -0,5°C por pelo menos 5 trimestres sobrepostos. Segundo as medições da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o atual fenômeno La Niña está em vigência desde o trimestre julho – agosto – setembro de 2021.



A área demarcada em vermelho na Figura 1 se subdivide em quatro regiões, que são monitoradas para estudos de fenômenos como El Niño e La Niña, como pode ser observado na figura 2. A tabela apresenta um comparativo entre os índices (desvios da TSM) para cada uma das regiões em 14 de abril e em 09 de maio de 2022. Nas últimas semanas todos os índices negativos se acentuaram, indicando que o resfriamento se intensificou no Oceano Pacífico. Os índices Niño 3.4 e 4, que ficam na área central e oeste do Pacífico, apresentaram diminuição de -0,3°C da TSM e agora na primeira quinzena de maio atingiram valores de -1,2°C e -1,1°C, respectivamente. Os índices do Niño 3, que fica na porção centro-leste, e do Niño 1+2, que está na porção leste do Pacífico, bem próximo a costa da América do Sul, apresentaram diminuição da TSM de -0,4°C e estão com desvio de -1,1°C e de -1,5°C, respectivamente. Todos os índices estão com valores inferiores a -1,0°C, o que indica, se persistir, que ainda estamos sob efeitos de uma La Niña de moderada intensidade.

Fig. 2. Desvio da TSM por sub-regiões de estudo no oceano Pacífico – Comparativo entre 14 de abril e 09 de maio de 2022. FONTE: Fonte: https://www.esrl.noaa.gov/

PREVISÃO CONSENSO INDICA CONTINUIDADE DA LA NIÑA NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2022


A previsão consenso entre os centros norte-americanos IRI (Instituto de Pesquisas Internacionais da Universidade da Columbia) e CPC (Centro de Previsões de Clima do NOAA), atualizada em 12 de maio, indica enfraquecimento do resfriamento no Oceano Pacifico Equatorial e diminuição da probabilidade de La Niña, indicada pelas barras azuis na figura 3, durante o inverno aqui no Hemisfério Sul. A probabilidade de La Niña diminui para 58% no final do inverno, trimestre de agosto a outubro de 2022. Mas logo em seguida as previsões indicam um ligeiro aumento desta probabilidade, para 61%, durante a primavera e a manutenção da La Niña ao longo do segundo semestre de 2022. Nesta época do ano, os modelos de previsões Oceânicas ainda passam por algumas oscilações e podem ocorrer algumas mudanças nas próximas atualizações, mas as previsões de precipitação e temperatura da Zeus continuam correspondendo aos efeitos do fenômeno La Niña ao longo dos próximos meses. A seguir vocês acompanham a previsão climática da Zeus Agrotech.

Fig. 3. Previsão de consenso de fenômenos climáticos, dos institutos NOAA e IRI, atualizada em 12/05/2022.


PREVISÃO CLIMÁTICA DA ZEUS AGROTECH

TEMPO SECO SE INTENSIFICA EM BOA PARTE DO INTERIOR DO BRASIL NOS PRÓXIMOS MESES


A seguir são apresentados os mapas da média (ou climatologia) da chuva e a previsão de clima da Zeus para os próximos meses, na forma de desvio da precipitação em relação ao que é esperado para cada mês. As cores representam as regiões onde estão os clientes Zeus. Mais detalhes em relação aos valores das médias e dos desvios estão disponíveis na sua plataforma Zeus.


JUNHO


Junho é marcado pelo início do inverno e é um dos meses mais secos sobre o interior do Brasil. Nas áreas em branco da Figura 4, os episódios de chuva se tornam cada vez mais escassos. Também costuma chover muito pouco nas áreas em vermelho do mapa. As chuvas são mais volumosas sobre o extremo norte do Brasil e sobre a faixa leste do Nordeste, onde nesta época as Ondas de Leste são mais atuantes. Na região Sul os volumes continuam moderados e o frio aumenta cada vez mais e costuma ser mais intenso sobre o centro-sul do País.

Para junho deste ano, a expectativa é de tempo mais úmido do que o normal sobre uma faixa mais ao norte do Brasil, como mostram as áreas em azul da figura 5. As chuvas tendem a ficar abaixo da média em todas as áreas em amarelo do mapa. Especialmente em áreas de MG, ES, oeste da BA, sul do TO e GO quase não chove nesta época, o que significa que o tempo será bastante seco. Previsão de tempo seco também para áreas do leste e sul de MT e as chuvas devem ser mais escassas do que o normal ainda sobre MS, SP e norte do PR. Já em grande parte do interior da região Sul, o mês de junho deve ser marcado por chuvas regulares e dentro da média, o que deve beneficiar as culturas de inverno. Previsão de normalidade também nas áreas em verde da figura 5 entre o interior do MT, RO e Matopiba, lembrando que nestas áreas o normal para junho é pouquíssima chuva.



Fig. 5: Previsão Zeus do desvio da precipitação em relação ao que é normal para junho/22
Fig. 4: Média de precipitação, segundo informações do CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de junho.
















JULHO


Julho, assim como junho, é um mês muito seco sobre o interior do Brasil, como mostram as áreas em branco da Figura 6. Costuma chover de maneira mais expressiva entre o norte do AM, RR, norte do PA e AP e no litoral leste do Nordeste. Na região Sul, e extremo sul de SP e MS, os volumes costumam ser moderados devido ao avanço de frentes frias. Neste mês, o frio costuma ser mais intenso sobre o centro-sul do País.

Para julho de 2022, nossas previsões indicam que as chuvas voltam a ficar irregulares sobre o Sul do País, mostrando o indicativo de que o fenômeno La Niña vai continuar impactando na distribuição das chuvas ao longo do inverno. Mas isso não significa falta de chuva, mas que haverá uma maior alternância entre períodos de chuva e tempo firme. Na maior parte do interior do Brasil, onde não costuma chover, a expectativa também é condições dentro da normalidade. Também podemos esperar precipitação dentro da média sobre a faixa leste do Nordeste, o que já indica bastante chuva, pois nesta época costuma chover de forma expressiva nesta área. As chuvas tendem a ser mais volumosas e acima da média na faixa norte do PA, do MA, do PI e do CE, como mostram as áreas em azul da figura 7.



Fig. 6: Média de precipitação, segundo o CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de julho.
Fig. 7: Previsão Zeus do desvio da precipitação em relação ao que é normal para julho/22.















AGOSTO


Em agosto as chuvas mais expressivas normalmente ocorrem sobre extremo norte do AM e em RR, como mostram as áreas em azul da Figura 8. Ainda ocorrem chuvas significativas sobre a faixa leste do Nordeste, mas os volumes já não são tão expressivos como nos meses anteriores, porque as ondas de leste começam a enfraquecer. Chove de forma moderada em grande parte da região Sul. Já sobre a maior parte do Brasil Central e no interior do Nordeste, o tempo seco é predominante ao longo do mês.

Para agosto deste ano nossas previsões indicam que as chuvas em áreas centrais do Brasil e em boa parte do interior do Matopiba vão ocorrer abaixo da média, o que indica que nestas áreas em amarelo, onde o tempo já costuma ser seco, a tendência deve ser de chuvas ainda mais escassas. No restante do Brasil a expectativa é para chuva dentro da normalidade, porém, vale ressaltar que em áreas das regiões Sudeste e Centro oeste, em agosto os volumes ainda costumam ser muito baixos. Sobre áreas da Região Sul, onde os volumes costumam ser mais significativos, a previsão de chuvas dentro da média pode indicar maiores episódios de chuva.




Fig. 8: Média de precipitação, segundo o CHIRPS (estimativa de chuva por satélite), para o mês de agosto.
Fig. 9: Previsão Zeus do desvio da precipitação em relação ao que é normal para agosto/22.



TENDÊNCIA DE TEMPERATURA PARA OS PRÓXIMOS 3 MESES



TEMPERATURA MÍNIMA


Os mapas a seguir apresentam a menor temperatura mínima e maior temperatura máxima que podemos esperar ao longo dos próximos três meses.


Neste ano, como visto anteriormente, o fenômeno La Niña vai continuar atuando entre o final do outono e ao longo do inverno, e por isso existe o risco para ondas de frio mais intensas ao longo do inverno, pois este fenômeno tem como característica deixar a atmosfera ainda mais fria. Em junho o frio aumenta significativamente e será mais intenso principalmente sobre a região Sul. Como se observa na figura 10, as áreas esbranquiçadas, que representam temperaturas muito próximas de 0°C, se tornam mais abrangentes. O risco para ocorrência de geadas generalizadas neste mês é maior sobre esta região. Também há expectativa para temperaturas abaixo de 10°C entre o Sudeste e MS. Inclusive nestas regiões também aumenta o risco para episódios de geada. As áreas em tons de azul mais escuro se tornam mais abrangentes sobre interior do centro-oeste e nas áreas mais ao sul da região norte, indicando que nestas áreas também são esperados declínios mais acentuados da temperatura durante o mês de junho.


Em julho, as entradas de ar frio são mais comuns sobre o interior do Brasil, porém as previsões não indicam temperaturas mínimas tão extremas como no mês de junho. As menores temperaturas voltam a ficar concentradas especialmente em áreas da região Sul e áreas ao sul de SP e MS, como vemos nas manchas em tons mais esbranquiçados, que indicam temperaturas mínimas próximas a 0°C. Nas demais regiões, ao longo do mês de julho, nas regiões em tons de azul um pouco mais escuro na figura 11, ainda se espera temperaturas mínimas que podem chegar em torno dos 10°C.


Para agosto ainda poderemos ter alguns episódios de entrada de ar frio que vão derrubar as temperaturas. O que mais chama a atenção neste mês será a alta amplitude térmica. Pois ainda devemos esperar temperaturas mínimas abaixo dos 15°C em áreas do Sudeste e Centro oeste, no entanto as temperaturas máximas se elevam cada vez mais, como veremos a seguir. As temperaturas mínimas mais baixas continuam concentradas principalmente em áreas da Região Sul e em alguns pontos entre SP e MG e em áreas do sul e oeste de MS e MT, como mostram as áreas em tons mais esbranquiçados, onde tem expectativa para temperaturas abaixo dos 10°C.


Fig. 10. Previsão de temperatura mínima: (a) junho/22 e (b) julho/22 e (c) agosto/22.

TEMPERATURA MÁXIMA


Em junho, figura 13, de uma forma geral as temperaturas máximas devem ficar um pouco mais baixas sobre toda a metade sul do Brasil, como mostram as áreas em tons de verde e azul do mapa, que representam as temperaturas mais baixas, onde a maior temperatura máxima não ultrapassa os 25°C. Na região Sul, nas áreas em azul, as temperaturas máximas, de uma forma geral, devem permanecer abaixo dos 20°C. Na metade norte do País o tempo segue abafado e as temperaturas mais altas devem ser registradas sobre o interior do TO, MT, e região Norte, como mostram as áreas em laranja da figura 13.


Em julho, figura 14, as temperaturas máximas mais baixas continuam previstas para a região Sul, áreas do Sudeste e faixa leste do Nordeste. Mas em comparação ao mês de junho, as temperaturas máximas devem ficar um pouco mais elevadas sobre a metade Sul do Brasil, com máximas acima dos 25°C. Neste mês são esperadas temperaturas mais elevadas, em relação aos meses anteriores, sobre o centro-norte do País, devido principalmente à condição de tempo seco. Em muitas áreas as temperaturas máximas chegam a valores em torno de 38°C.


Para agosto, figura 15, com a intensificação do tempo seco no interior do Brasil, as temperaturas máximas também se intensificam em grande parte do centro e norte do País, onde os valores de temperaturas podem bater os 40°C. As temperaturas mais amenas ainda são esperadas em áreas da região Sul, devido a influência de massas de ar frio, além de toda a faixa leste do Brasil, mas em comparação aos meses anteriores, as temperaturas máximas serão mais elevadas.

Fig. 11. Previsão da temperatura máxima: (a)junho/22 (b) julho/22 e (c) agosto/22.




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ZEUS AGROTECH DE MAIO/22
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CONFIRA TAMBÉM O ANÁLISE ZEUS



Fonte das informações agrícolas: Reuters; Deral; Imea; Cepea; Notícias Agrícolas; Abapa; Unica; Nova Cana.


EQUIPE ZEUS


meteorologistas:

BRUNA PERON | bruna.peron@zeusagro.com

NADIARA PEREIRA | nadiara.pereira@zeusagro.com


analista de relacionamento agronômico:

ANDRESSA GREGÓRIO | andressa.gregorio@zeusagro.com

engenheiro agrônomo:

CARLOS SILVA NETO | carlos.neto@zeusagro.com

diagramação:

FELIPE ARAUJO | felipe.araujo@zeusagro.com

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