ANÁLISE ZEUS - JUNHO 2022

Atualizado: 3 de ago.

REGISTROS DE PRECIPITAÇÃO E TEMPERATURAS DO MÊS DE MAIO DE 2022

Fig 1. Climatologia da precipitação para o mês de maio.

Em maio a estação seca se intensifica sobre o interior do Brasil. Nas áreas em vermelho da figura 1, a chuva diminui gradativamente e os volumes são muito baixos em relação aos meses anteriores. Sobre o norte de MG, interior do Nordeste, partes de GO e TO, áreas com fundo branco, praticamente não chove. Neste mês, as chuvas mais volumosas se concentram sobre uma faixa no extremo norte do Brasil, entre o norte do AM até o norte do MA, como mostram as áreas em azul, devido a atuação da Zona de Convergência Intertropical. A chuva aumenta também sobre a faixa leste do Nordeste, devido a intensificação da circulação dos ventos contra a costa e de um fenômeno bem conhecido na região nesta época do ano, chamado Ondas de Leste. A região Sul e áreas mais ao sul entre SP e MS costumam receber chuvas moderadas.





PRECIPITAÇÃO E ANOMALIA REGISTRADA EM MAIO DE 2022


O mês de maio foi marcado por chuvas e temperaturas atípicas em muitas regiões do País. Os maiores volumes ocorreram especialmente numa faixa do extremo norte da Região Norte, no litoral leste do Nordeste e sobre parte da Região Sul, como é observado nas áreas em tons de verde da figura 2 (a), que representa a precipitação acumulada do mês de maio. Em algumas destas áreas, o acumulado do mês ultrapassou os 350mm, devido principalmente à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) que nesta época do ano já se encontra sobre áreas mais ao norte. Sobre o litoral do Nordeste, as chuvas mais intensas ficaram restritas aos últimos 10 dias de maio, devido a uma frente fria que atingiu o sul da Região e ao fenômeno conhecido como Ondas de Leste e estes dois fenômenos foram responsáveis por chuvas torrenciais, com acumulados na ordem de 300mm, o que acabou contribuindo para o desvio positivo. Para o interior do Brasil, como é comum da época, a chuvas já foram bastante escassas e neste último mês de maio não foi diferente e a chuva foi bastante irregular, o que resultou em desvio negativo em grande parte do interior das Regiões Sudeste, Centro oeste e Norte, conforme é observado nas áreas em tons de laranja mais escuro da figura 2(b). O mês de maio fechou com chuvas significativas em parte da Região Sul. Tivemos 2 eventos de chuva intensas e persistentes no sul do Brasil que contribuíram com chuvas expressivas em parte da Região, e isso é observado em algumas regiões com manchas em tons de verde da figura 2 (a), que representam volumes entre 250 e 300mm, e isso contribuiu para que os volumes ficassem acima da média, como é mostrado nas áreas em tons de azul da figura 2 (b).

Fig. 2. (a) Precipitação acumulada do mês de maio de 2022; (b) Anomalia da precipitação acumulada em maio de 2022. Fonte: CPTEC

DESVIO DAS TEMPERATURAS REGISTRADAS EM MAIO DE 2022


As temperaturas mínimas foram o maior destaque do mês, pois no início da segunda quinzena do mês uma intensa massa de ar de origem polar avançou pelo interior do Brasil e provocou declínio acentuado das temperaturas em muitas regiões. O frio foi bastante intenso entre o Sudeste e o Centro oeste, mas o desvio da temperatura mínima foi mais expressivo sobre áreas de MT e GO, onde tivemos registro de anomalia de até 5°C, como vemos nas áreas em tons de azul mais escuro na figura 3, que representa a anomalia de temperatura mínima do mês de maio. O desvio também ficou negativo em outros pontos do interior do Brasil como é observado nas áreas em tons de azul da figura 3. Neste mês as temperaturas mínimas também foram mais elevadas em áreas mais ao norte do Brasil, como mostram as áreas em tons de laranja, que representa o desvio positivo das temperaturas mínimas.


O frio foi tão intenso que refletiu também nas temperaturas máximas. Em áreas do Sudeste e centro oeste as temperaturas máximas ficaram com anomalias negativas, como vemos nas áreas em tons de azul da figura 3(b). O desvio maio ficou para áreas da Região Sul, no entanto nesta região tivemos maiores períodos de tempo fechado devido as chuvas que foram expressivas na região. Para o interior nordestino o que chama atenção é o desvio positivo das temperaturas máximas ao longo do mês e em alguns pontos, os desvios foram acima dos 5°C, como mostram as manchas em tons mais avermelhados.


Fig. 3. (a) Anomalia da temperatura mínima do mês de maio de 2022 e (b) anomalia da temperatura máxima do mês de maio de 2022. Fonte: CPTEC


PREVISÃO DO TEMPO DE 03 A 16 DE JUNHO DE 2022

A PRIMEIRA QUINZENA DE MAIO SERÁ MAIS CHUVOSA SOBRE OS EXTREMOS SUL E NORTE DO PAÍS E O TEMPO SECO GANHA FORÇA NO INTERIOR DO BRASIL


No primeiro período, figura 4 (a), a partir do dia 05/06 novas instabilidades avançam pela porção oeste da Região Sul, provocando chuva intensa, principalmente entre o RS e SC até dia 07/06. Neste período as instabilidades vão ficar restritas no sul do País. A partir do dia 7, algumas instabilidades avançam para o interior do Brasil e contribuem com pancadas de chuva em alguns pontos do interior do Centro oeste. Ainda neste período, tem previsão para chuvas persistentes e volumosas na faixa mais ao norte do país, devido a influência da Zona de Convergência Intertropical. Os volumes mais expressivos de água devem atingir áreas ao norte dos estados como AM, AP, PA, MA, PI e CE. Já sobre o interior nordestino o tempo seco ganha força na área em que aparece o fundo verde do mapa e tem expectativa para chuvas de forma persistente, porém já com menor intensidade, sobre a faixa leste do Nordeste.

No período de 08 a 12, figura 4 (b) o tempo seco continua se intensificando em grande parte do interior do Brasil, como mostram as áreas com fundo verde. A partir de 08/06 novas instabilidades já espalham pancadas de chuva para áreas de MS e MT, porém a chuva ainda tem se mostrado mais irregular e dificilmente irá avançar sobre o interior dos estados de SP sul de MG e GO. As chuvas mais expressivas devem continuar concentradas sobre a faixa norte do Brasil, especialmente entre o norte do AM, RR, AP, norte do PA, norte do MA, norte do PI e CE e em áreas da faixa leste Nordestina. Enquanto isso, o tempo seco segue predominando e se intensificando sobre o interior Nordestino.


Já no período de 13 a 16 as instabilidades se afastam, e o tempo seco segue se intensificando em todo o interior do Brasil. Nesse período os maiores volumes de água continuarão concentrados sobre a região Norte e na faixa leste Nordestina como mostram as áreas em azul do mapa. Nas áreas mais ao sul destas regiões o tempo seco começa a ganhar força.

Fig.4. Previsão da precipitação acumulada: (a) entre 03 e 07, (b) entre 08 e 12 e (c) entre 13 e 16 de junho.

TEMPERATURA MÍNIMA


Quanto as temperaturas mínimas, o destaque é a continuidade de temperaturas mais baixas e de sensação de frio ao longo das próximas semanas em grande parte do Centro sul do País. No período de 03 a 07 de junho, figura 5 (a), as temperaturas mais baixas ficam concentradas principalmente sobre áreas da Região Sul e o frio não avança de forma intensa sobre as demais áreas entre o Sudeste e Centro oeste, mas em algumas áreas as temperaturas mínimas podem ficar abaixo dos 10°C, como mostram as regiões em tons de verde e azul escuro. As temperaturas diminuem até mesmo entre RO, BA e TO neste período, fenômeno conhecido como friagem.


No período de 08 a 12 de junho, figura 5 (b), o frio deve continuar ganhando força sobre Centro Sul, especialmente entre a Região Sul e partes mais ao sul do Sudeste e Centro oeste, como mostram as áreas em tons de azul mais esbranquiçado no mapa, que representam temperaturas mínimas próximas a de 5°C. Em áreas como MG, GO, MT e BA, as temperaturas também devem cair e ficam em torno dos 10°C, como mostram as áreas em tons de verde mais escuro do mapa, mas por enquanto para este período o risco para frio intenso é menor. Nas demais áreas do norte do país, em tons de amarelo e laranja, o tempo segue abafado durante as madrugadas.


O final da primeira quinzena de junho ainda será marcado por temperaturas baixas em boa parte do centro sul do País. Teremos o avanço de uma massa de ar polar mais intensa, que deve provocar um declínio mais acentuado das temperaturas sobre a região Sul e o risco para ocorrência de geadas entre interior Gaúcho e do PR é alta, como mostram as áreas em tons esbranquiçados no mapa, que representam temperaturas bastante baixas que podem chegar em torno de 0°C nas áreas mais esbranquiçadas. O frio é mais intenso e com risco para geadas em áreas de MS e SP. Nesse período, o frio deve aumentar também sobre o interior do Sudeste e do Centro-Oeste, nas áreas em tons de azul claro do mapa. Nestas regiões aumenta o risco para um frio mais intenso em alguns pontos e há inclusive risco para geadas, mas ainda de forma bem isolada.

Fig.5. Previsão da temperatura mínima: (a) entre 03 e 07, (b) entre 08 e 12 e (c) entre 13 e 16 de junho.

TEMPERATURA MÁXIMA


Quanto as temperaturas máximas, ao longo dos próximos períodos o que mais chama atenção é a intensificação do calor sobre a região central do país, consequência da condição de tempo bastante seco, que deve se intensificar nos próximos dias. Especialmente entre o interior Nordestino e do Centro-Oeste, as áreas em laranja, que indicam temperaturas máximas mais elevadas nos mapas, se intensificam e se expandem cada vez mais, especialmente entre os dois primeiros períodos, figuras 6 (a) e 6 (b), que representam a previsão de temperatura máxima até o dia 12 de junho, dividida em períodos de 5 dias. Entre a Região Sul e partes da Região Sudeste as temperaturas seguem um pouco mais baixas, como mostram as áreas em verde, devido a maior frequência da passagem de frentes frias e massas de ar de origem polar que contribuem para que as máximas não subam tanto. As temperaturas máximas também não se elevam tanto na faixa norte do país e no leste Nordestino, devido a previsão para chuvas frequentes nestas áreas.


Fig. 6. Previsão da temperatura máxima: (a) entre 03 e 07, (b) entre 08 e 12 e (c) entre 13 e 16 de junho.


SAFRA AMERICANA 22/23: USDA APONTA NÚMEROS ABAIXO DO ESPERADO

Fig. 7. Milho - imagem: Envato

Os Estados Unidos deverão colher em torno de 367,3 milhões de toneladas de milho na safra 2022/23, ou seja, abaixo da previsão de mercado de 375,4 milhões de toneladas. Os dados apresentados são do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que foi divulgado dia 12 de maio, indicando que na safra 2022/23, a produtividade média deve atingir 177 bushels por acres, onde a área a ser plantada deve ficar em 89,5 milhões de acres, e a área a ser colhida em 81,7 milhões de acres.

Desta forma, a safra ficou abaixo do esperado, mas os estoques ficaram acima. Os estoques finais de passagem da safra 2022/23 foram estimados em 34,5 milhões de toneladas, acima dos 33,15 milhões de toneladas previstos pelo mercado. Já as exportações em 2022/23 foram indicadas em 2,4 bilhões de bushels e o uso de milho para a produção de etanol em 5,375 bilhões de bushels.

Para a safra 2021/22, a produção nos Estados Unidos foi mantida em 15,115 bilhões de bushels, e a produtividade média em 177 bushels por acre. A área a ser plantada foi mantida em 93,4 milhões de acres e a ser colhida segue estimada em 85,4 milhões de acres.

Os estoques finais da safra 2021/22 foram estimados em 1,440 bilhão de bushels, sem alterações ante o relatório de abril, enquanto o mercado previa estoques de 1,404 bilhão de bushels. As exportações em 2021/22 foram estimadas em 2,5 bilhões de bushels, sem alterações frente ao relatório de abril. O uso de milho para a produção de etanol foi indicado em 5,375 bilhões de bushels, também permanece sem mudanças ante o mês passado.



MILHO SEGUNDA SAFRA: DE ACORDO COM A CONAB, APESAR DA ESTIAGEM, MILHO APRESENTA BOM DESENVOLVIMENTO


De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a seca sazonal que é uma característica deste período na região central do Brasil, ocasionou menores impactos no desenvolvimento da lavoura de milho segunda safra comparando com as safras anteriores.


Nas primeiras semanas de maio, a seca se intensificou e a umidade do solo que já se encontrava baixa em algumas regiões, causou uma maior restrição às lavouras de milho que foram semeadas fora da janela de plantio ideal e que se encontram, no momento, em floração e enchimento de grãos. As maiores restrições hídricas ocorreram no oeste da Bahia, no norte e noroeste de Minas Gerais e em Goiás, além do sudeste de Mato Grosso, do leste de Mato Grosso do Sul e do noroeste de São Paulo.

O acompanhamento do índice de vegetação mostra que, apesar das restrições hídricas em maio, a semeadura antecipada do milho segunda safra permitiu que as lavouras se desenvolvessem de forma similar ou de forma melhor que as últimas safras na maioria das regiões monitoradas. Atualmente, o índice está em queda ou desaceleração, devido à maturação de parte das lavouras. De forma geral, persiste a expectativa de boa produtividade.



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Fonte das informações agrícolas: Referência:

Milho: USDA aponta safra americana 2022/23 bem abaixo do esperado. Disponível em. https://revistarpanews.com.br/milho-usda-aponta-safra-americana-2022-23-bem-abaixo-do-esperado/. Acesso em <01. jun.2022 às 10h:31min>

Mesmo com seca, milho 2ª safra apresenta bom desenvolvimento, diz Conab. Disponível em. https://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/milho-2a-safra-apresenta-bom-desenvolvimento-diz-conab/. Acesso em <01. jun.2022 às 10h:57min>


Imagens: Envato


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